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Trabalho: A sobrecarga

Domingo, 30.10.16

Quem paga o preço da sobrecarga de trabalho é o que temos de mais valioso. Nossa saúde, nosso humor, nossos amores.

Lembro-me de uma conversa com uma amiga enfermeira, na qual eu perguntei como ela aguentava tantos plantões de duração tão longa e tão intensos. Ela respondeu que era mesmo cansativo e difícil. Mas que havia uma vantagem: quando ela saía do hospital, ela saía 100% do trabalho. Outras pessoas assumiriam os cuidados com os doentes e não havia nada que ela pudesse fazer de casa.

Fui tomada por uma súbita inveja que mal posso descrever. Fiquei imaginando como seria minha vida se eu conseguisse trancar o meu trabalho dentro de portas e paredes para reencontrá-lo apenas quando eu optasse por destrancar o ambiente. Parecia - e ainda parece - um sonho.

Quanto mais as tecnologias evoluem, mais fácil se torna a comunicação, é verdade. Muitas coisas são simplificadas, as distâncias parecem mais curtas. Por outro lado, fica cada vez mais difícil limitar o alcance que as coisas têm sobre nós e o quão acessível nós devemos ser, sobretudo para as questões de trabalho.

Quando eu era estagiária, lembro-me bem, entre 18 e 18:30, desligava o computador, arrumava a mesa, me despedia das pessoas e estava livre. Não tinha acesso aos c.e./e-mails até o dia seguinte. Não havia whatsapp. Se houvesse uma emergência, telefonariam. Eu tinha, efectivamente, a sensação de que saía do trabalho e que, a partir dali, o dia seria ocupado com outros assuntos.

Sei que minha condição de advogada, professora e escritora não colabora em nada com a ideia de não levar trabalho para casa. Assim como são aqueles que são donos dos próprios negócios, profissionais liberais e tantos outros. Mas venho reparando que os que trabalham em grandes empresas e escritórios de terceiros tornaram-se igualmente escravos das tecnologias que nos arrastam diariamente para horas suplementares e esgotamento mental.

 

Quem paga o preço da sobrecarga de trabalho é o que temos de mais valioso. Nossa saúde, nosso humor, nossos amores. Filhos privados da nossa convivência (sentar no sofá enquanto eles assistem desenho e nós trabalhamos não conta como conviver), nosso casamento que tem a cama invadida por e-mails que vamos responder em “um minutinho”, nossos pais cujas ligações esquecemos de retornar por causa da cabeça cheia.

Precisamos parar. Parar de esperar resposta imediata dos outros fora do horário comercial. Parar de checar os c.e./e-mails de hora em hora. Parar de fazer tantas concessões no final de semana. Precisamos deixar o notebook desligado. Deixar o Iphone em outro cômodo. Precisamos dormir sem um aparelho vibrando ao lado, precisamos mergulhar de verdade nas brincadeiras das nossas crianças, precisamos deixar o stress para o lado de fora do quarto, precisamos de refeições sem o tempero dos caracteres.

 

Precisamos terminar o expediente, sair do trabalho e permitir que o trabalho saia de nós. Alguém vai ter que esperar. E não é certo, nem é justo, que sejam sempre aqueles que mais importam que paguem o preço dessa nossa vida equivocada, habituando-se cada vez mais a essa nossa presença tão ausente.

 

Fontes:

Ruth Manu

Observador

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