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Como um homem salvou os judeus da Bulgária

Segunda-feira, 04.09.17

Durante a Segunda Guerra Mundial, a Bulgária não tinha um Schindler, e não tinha uma lista. Tinha um homem místico de barba branca chamado Peter Deunov/Beinsa Douno e uma nação inteira que o seguia. Juntos, eles salvaram os 48.000 judeus Búlgaros, durante o Holocausto.
A Bulgária não estava em boa posição geográfica durante a Segunda Guerra Mundial. Cercado pela União Soviética por um lado e pela Europa, por outro, foi forçado a entrar no meio da acção da Guerra. É por isso que é ainda mais impressionante que a Bulgária tenha sido uma das únicas nações continentais da Europa, onde toda a população judaica tenha quase toda sobrevivido ao Holocausto. (A Dinamarca e a Finlândia eram as outras duas, mas as suas populações judaicas, relativamente pequenas, estavam isoladas geograficamente). Para manter-se forte diante de Hitler e das suas diretrizes nazistas, os búlgaros acreditavam num homem místico-cristão: Peter Deunov. Tal como Albert Einstein diria mais tarde: "Todo o mundo se curva diante de mim. Eu inclino-me diante do Mestre Beinsa Douno/Peter Deunov".

Foto: Omraam Mikhaël Aïvanhov - Brasil

 

Fitness filosófico

A filosofia de Peter Deunov não parece ser nada revolucionária no início. Ele baseou suas crenças sobre as de Cristo e pregava o Amor Universal e a tolerância religiosa — apenas com uma inclinação mais mística e cósmica. Conhecido também como Mestre Beinsa Douno, ele obteve uma grande número de seguidores na Bulgária, no início do século XX, devido aos seus ensinamentos conhecidos como Cristianismo Esotérico. Na época, durante o tempo de vida de Deunov, o futuro Papa João XXIII — servindo como embaixador do Vaticano na Bulgária — apelidou-o de "o maior filósofo que vive à superfície da Terra".
Mas Deunov também teve suas qualidades controversas. Um forte crente na astrologia e na frenologia (ciência que determina os traços da personalidade com base na forma dos crânios das pessoas), Deunov também considerou a aptidão física como crucial para o desenvolvimento espiritual. Ele criou campos de saúde para seus discípulos que incluíam escalar a cimeira do Moussala com 2926 km de altura, o pico mais alto da Bulgária. Além disso, ele promoveu o vegetarianismo rigoroso e doses liberais de água. Mas talvez o mais controverso tenha sido a sua crença na Dança da Paneuritmia ("sublime ritmo cósmico"), danças sagradas que Deunov inventou para utilizar "energias positivas". Desconcertada por algumas das suas idéias mais incomuns, a poderosa Igreja Ortodoxa Búlgara, perseguiu-o e denunciou os seus ensinamentos.
Mas, além de escalar montanhas e doutrinar as alegrias da boa saúde, Deunov defendia também a paz mundial. Infelizmente, isto também foi visto como controverso por alguns. Durante uma de suas palestras em 1917, ele falou contra a entrada da Bulgária na Primeira Guerra Mundial ao lado dos Poderes Centrais. Embora mais tarde se provasse que ele estava certo sobre essa decisão, isso não impediu o governo de exilá-lo por um ano.

Táticas de prevenção

No início da Segunda Guerra Mundial, a Bulgária escolheu o lado perdedor novamente. Com a esperança de recuperar as terras ancestrais que perdeu durante a Primeira Guerra Mundial (Trácia e Macedónia), a Bulgária juntou-se aos poderes do Eixo em 1941. E, embora os nazistas tenham obtido o controle desses territórios, a Bulgária os reivindicou apenas em seu nome. O que é pior, Hitler forçou o governo búlgaro a aprovar leis opressivas contra seus judeus como parte do acordo.
Graças a uma população nacional tolerante, o czar da Bulgária, Boris III, conseguiu evitar a aplicação de políticas antisemitas, pelo menos por um tempo. Eventualmente, porém, a pressão política e militar de Hitler tornou-se muito grande.
Em março de 1943, Boris foi intimidado a assinar a deportação de 11.343 judeus da Trácia e da Macedônia para Auschwitz. Destes, apenas 12 sobreviveram.
Quando a deportação se tornou conhecida do público, a maioria dos búlgaros ficou tão indignada que Boris III se escondeu. Qualquer coisa que enfrentasse seria uma situação perdida — ou a ira dos nazistas ou a ira do seu próprio povo. Quando Hitler exigiu a deportação de todos os judeus búlgaros, Boris cedeu.

O Jogo das Escondidas

O que aconteceu a seguir foi um dos mais fatídicos golpes de sorte na história. A diretriz assinada pelo czar Boris III passou pelas fileiras e pelas mãos de um dos seguidores de Peter Deunov, que rapidamente informou o seu Mestre. Com vontade de parar a deportação, Peter Deunov enviou um dos seus devotos mais confiáveis, um Oficial sénior chamado Lyubomir Loulchev, para tentar mudar a mente de Boris. Deunov sabia que Boris o respeitava (em grande parte porque Deunov havia profetizado os resultados devastadores da Primeira Guerra Mundial), mas também sabia que o kzar respeitava Loulchev. Deunov disse a Loulchev: "Encontre o czar e diga-lhe que, se ele permitir que os judeus búlgaros sejam enviados para a Polónia, esse será o fim de sua dinastia".
Infelizmente, localizar o czar não era uma tarefa fácil. Boris ainda estava escondido e nem seus conselheiros mais confiáveis sabiam o seu paradeiro. Loulchev procurou desesperadamente o país, mas ele estava a ficar sem tempo, então ele voltou a Deunov para pedir ajuda. De acordo com um biógrafo, Deunov meditou na localização de Boris em seu quarto por alguns minutos, depois abriu a porta e disse uma palavra: "Krichim" O nome de uma cidade obscura no sul da Bulgária. Loulchev partiu para a cidade imediatamente e conseguiu descobrir um czar muito surpreso.
Pouco depois, Boris pediu a libertação de todos os judeus búlgaros em espera de deportação. Não é certo se esta “reviravolta” foi o resultado do apelo de Loulchev à consciência de Boris, o poder do conselho de Deunov ou a pressão que ele descobriu que ele estava recebendo de outros altos funcionários búlgaros. No entanto os membros do parlamento que se uniram para tentar proteger sua população judaica, nada podiam fazer com o kzar escondido e sem instruções deste último. O envolvimento do Mestre Peter Deunov mudou tudo isso.

A Fúria de um Führer

Hitler estava mais do que ligeiramente irritado por esta mudança de eventos, assim como pela recusa do czar Boris III em se envolver em guerra com a União Soviética. Em agosto de 1943, o Fürhrer convocou o czar para um encontro privado na Prússia Oriental - uma viagem da qual Boris nunca se recuperou. Ele voltou exausto e deprimido, e morreu misteriosamente apenas alguns dias depois, aos 49 anos. É amplamente suspeita (mas ainda não comprovada) de que um jogo sujo para o envenenar e matar, foi o resultado desse encontro.
Infelizmente, também não houve um final feliz para o mestre Peter Deunov. Em 1944, as forças soviéticas invadiram a Bulgária, e o Mestre místico-cristão morreu dois dias antes que as autoridades comunistas pudessem prendê-lo por causa dos seus ensinamentos espirituais. O governo continuou a perseguir e a molestar os seus seguidores até a queda do comunismo em 1989.
Desde então, no entanto, tem havido um interesse crescente sobre a filosofia de Peter Deunov. Os seus ensinamentos têm se espalhado lentamente por toda a Europa.
Actualmente, mesmo aqueles búlgaros que não são particularmente inspirados pela religião ainda respeitam Peter Deunov pelo seu papel vital em salvar 48 mil búlgaros do Holocausto. Mas talvez o motivo principal seja lembrado tão carinhosamente porque ele inspirou sua nação a fazer o que é certo. Em 1998, a Liga Anti-Difamação (Anti-Defamation League) homenageou todo o país da Bulgária com a Condecoração “Courage to Care” (Coragem para cuidar). E enquanto algum crédito foi concedido ao czar Boris III, os búlgaros também se lembravam de que o czar poderia facilmente ter permitido que seus súbditos judeus perecessem (como ele havia feito aos judeus nas terras ancestrais — Trácia e Macedónia que deixaram de pertencer à Bulgária durante a Primeira Guerra Mundial) caso não tivesse sido convencido de uma outra forma. De todos os búlgaros que desempenharam um papel no momento mais orgulhoso da nação, nenhum deles é mais estimado do que o Mestre Peter Deunov.

 

Omraam Mikhaël Aïvanhov

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